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	<title>Arquivos Eletros - Multixplique</title>
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	<title>Arquivos Eletros - Multixplique</title>
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		<title>Do superávit ao déficit – Entenda, mediante dados oficiais, o que aconteceu no Plano BD Eletrobrás nas duas últimas décadas… Parte VII</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hugo Elsenbusch]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Jan 2022 19:34:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Déficit Plano BD Eletrobrás]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enfim chegamos ao final desta série de publicações (pelo menos até que sejam divulgados os resultados de 2021). E neste momento pedimos sinceras desculpas se o presente texto mostrar-se demasiadamente longo, afinal iremos comentar os anos de 2018, 2019 e 2020. Tentaremos ser o máximo possível didáticos e nesse último texto apresentar detalhes, visando orientar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="685" src="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/the-end-1-1024x685.jpg" alt="" class="wp-image-2637" srcset="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/the-end-1-1024x685.jpg 1024w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/the-end-1-300x201.jpg 300w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/the-end-1-768x514.jpg 768w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/the-end-1-1536x1028.jpg 1536w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/the-end-1-2048x1371.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-drop-cap">Enfim chegamos ao final desta série de publicações (pelo menos até que sejam divulgados os resultados de 2021). E neste momento <strong>pedimos sinceras desculpas</strong> se o presente texto mostrar-se demasiadamente longo, afinal iremos comentar os anos de 2018, 2019 e 2020. Tentaremos ser o máximo possível didáticos e nesse último texto apresentar detalhes, visando orientar o leitor a entender um pouco mais como ler e interpretar o principal documento informativo elaborado pela fundação durante o ano, em nosssa opinião, o RAI. </p>



<p>Merecerá portanto um post específico pois serão tratados não apenas o resultado que já se sabe não foi favorável, bem como o plano terá uma importante mudança: a migração proporcionará a redução de passivo e número de participantes do plano.</p>



<p>Mas, vamos falar agora do que aconteceu em 2018, 2019 e 2020 com base em tudo que está disponível nas publicações feitas pela Eletros.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="482" src="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2018-1024x482.jpg" alt="" class="wp-image-2631" srcset="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2018-1024x482.jpg 1024w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2018-300x141.jpg 300w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2018-768x362.jpg 768w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2018-1536x723.jpg 1536w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2018-2048x965.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p><strong>2018</strong> seguiu a mesma tendência dos últimos 2 anos, superação da meta atuarial. O RAI 2018 começa com a comunicação da aprovação do TAC pela PREVIC, visando a implementação dos planos de equacionamento 2013 e 2015, observando um cronograma que havia sido elaborado à época. </p>



<p><strong>E a gestão dos investimentos, como foi?</strong></p>



<p>Para responder essa pergunta, começaremos comentando a observação que consta no referido relatório a respeito do desempenho da Eletros, que menciona ter sido um excelente desempenho em um ano de &#8220;altíssima instabilidade&#8221; no cenário econômico e os acontecimentos mundiais, sem no entanto, traduzir em números o que essa qualificação &#8220;excelente&#8221; significava e que acontecimentos teriam sido esses (sugere-se uma consulta ao Wikipedia que detém um resumo dos principais fatos do ano). </p>



<p>Na seção sobre gestão de investimentos a Eletros explica que no cenário internacional enfrentou os impactos da expectativa da elevação das taxas de juros nos Estados Unidos e a desaceleração do crescimento econômico global. Já no cenário interno, o Brasil enfrentou a greve dos caminhoneiros afetando negativamente a retomada da atividade econômica, agravando-se no segundo semestre com todo o processo eleitoral. Entretanto, na contramão das variações negativas dos ativos mundiais, a eleição de Bolsonaro gerou otimismo no mercado brasileiro, fazendo que a carteira de renda variável do plano BD fosse beneficiada.</p>



<p>Visto que tal afirmação sobre o desempenho da rentabilidade necessitava de maiores esclarecimentos, a Eletros faz o convite à uma reflexão sobre a rentabilidade média obtida pelos planos CD/CV nos 5 anos anteriores que tinha sido de 113% do CDI (<strong>76,4%</strong>), que, se comparada ao desempenho obtido pelas Entidades <strong>Abertas</strong> de Previdência Privada (ou seja, um mercado que abrange outras características diferentes, <strong>não similares</strong> a outros fundos de pensão em alguns quesitos) obteve 91% do CDI (<strong>61,0%</strong>).</p>



<p><strong>Obs:</strong> Quando se lê rentabilidade média de 76,4% está sendo feita, claramente, referência à rentabilidade média acumulada em 5 anos dos planos administrados pela Eletros.</p>



<p>Dando continuidade à análise comparativa com um segmento paralelo que é o de previdência privada em que atuam bancos e seguradoras (que possuem fins lucrativos) a Eletros aborda a diferença entre as suas taxas de administração e as taxas praticadas pelas Seguradoras e Entidades de Previdência Privada deste mercado regulado pela SUSEP, em que mostra que o <strong>perfil Eletros</strong> de investimentos tinha uma taxa menor que as demais <strong>(0,45%</strong> x <strong>1,44%)</strong>.</p>



<p><strong>Mas, o que esses números significaram naquele ano?</strong></p>



<p>Como vimos anteriormente, esse tipo de comparação esteve presente em outro RAI e foi citada em umas das publicações anteriores desta série. O que buscamos no momento foi apresentar o resultado obtido pelas Entidades <strong>Fechadas</strong> de Previdência Complementar obtido naquele exercício. Tal informação está disponível no site da Abrapp, na seção de Consolidados estatísticos. Trouxemos para cá, portanto, o que se encontra descrito no documento da Abrapp que leva em consideração o mercado de previdência privada real que a Eletros está inserido como fundo de pensão.</p>



<p> </p>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:58% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="367" height="223" src="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Quadro-EFPCS-2014-2018-1.jpg" alt="" class="wp-image-2618 size-full" srcset="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Quadro-EFPCS-2014-2018-1.jpg 367w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Quadro-EFPCS-2014-2018-1-300x182.jpg 300w" sizes="(max-width: 367px) 100vw, 367px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:22px">Pelos números destacados, observa-se que o desempenho das entidades foi <strong>inferior</strong> ao obtido pela Eletros, segundo informado pela mesma.</p>
</div></div>



<p>Obs: Cabe observar que não foi divulgada a rentabilidade de 2015 no RAI daquele ano e por isso, a comparação com o plano BD Eletrobrás não foi possível de ser realizada.</p>



<p>Especificamente para o ano 2019 esperava-se rentabilidade real de 5,0% acima da inflação medida pelo INPC (IBGE). A proposta para aquele exercício era ter em torno de 69% em renda fixa e 15% em renda variável, seguidos por 9% em investimentos imobiliários, 5% em empréstimos aos participantes e 1% tanto para investimentos estruturados e em investimentos no exterior.</p>



<p>Quanto ao desempenho do plano, os números finais de 2018 foram:</p>



<p>Rentabilidade bruta nominal = <strong>11,27%</strong> e Meta atuarial = <strong>9,28%</strong></p>



<p>Ou seja, o plano obteve acima do que era necessário atingir (meta atuarial) o percentual de <strong>1,82%</strong>. Porém, o que quer dizer &#8220;bruta nominal&#8221;, você sabe?</p>



<p>Na prática, significa que não foi efetivamente creditado no plano BD o correspondente a 1,82% do patrimônio. Sabe por que? Porque há o custo da gestão dos ativos do plano. Até março/2019 esse custo correspondia a <strong>0,5%</strong>. A partir de abril de 2019 passou para 0,45% a.a. Portanto, para apurar a rentabilidade líquida, deve´se descontar a taxa de administração.</p>



<p>E, para ratificar o que já foi resumido no início dessa publicação sobre o bom desempenho no ano dos investimentos, a renda variável foi responsável por <strong>20,57%</strong> de rentabilidade nominal bruta, ou seja, superando em <strong>10,33%</strong> a meta atuarial. Um belo desempenho!</p>



<p>Para calcular o 10,33% voce deve inicialmente fazer o seguinte cálculo (1+0,2057) / (1+0,0928).</p>



<p>Do resultado obtido (1,1033) subtraia 1 e multiplique por 100%.</p>



<p><strong>E o que diz a demonstração contábil? </strong></p>



<p>Ao observarmos as demonstrações contábeis, podem ser extraídos alguns elementos importantes, tais como:</p>



<p>O <strong>déficit técnico reduziu</strong> de <strong>R$ 603.895 mil</strong> para <strong>R$ 164.581</strong> (redução de 72,75%). Mas, <strong>ATENÇÃO</strong>. Não significa dizer que o problema do desequilíbrio do plano foi praticamente solucionado! É uma classificação contábil. Significa que uma vez que os planos de equacionamento são elaborados, o plano reencontra o seu caminho rumo ao equilíbrio. Como pode ser comprovado na <strong>pág. 86</strong> do RAI 2018, o déficit equacionado foi de <strong>R$ 606.448 mil</strong>. O que está por trás é a previsão da entrada de <strong>contribuições adicionais</strong>, com <strong>prazos e valores bem definidos</strong>. Assim, o déficit de R$ 164.581 ainda representava qual parte do passivo que ainda não tinha plano de equacionamento elaborado.  </p>



<p>A composição exata ficou então da seguinte forma:</p>



<p>Déf. Equacionado <strong>2011</strong> &#8211; R$ 19.792 mil</p>



<p>Déf. Equacionado <strong>2013</strong> &#8211; R$ 357.394 mil</p>



<p>Déf. Equacionado <strong>2015</strong> &#8211; R$ 229.262 mil</p>



<p><strong>Total equacionado &#8211; R$ 606.448 mil</strong></p>



<p>Ao passarmos pelas demonstrações contábeis, julgamos importante citar a constituição de provisões decorrentes de ações judiciais de assistidos contra a Eletros. Tais valores referentes ao plano BD somavam em 2018 aproximadamente R$ 18 milhões, sendo portanto inferiores em relação à provisão do ano anterior de aproximadamente R$ 26,7 milhões. No entanto, não fica claro se tais valores foram reduzidos porque as causas judiciais representaram em êxito para o plano ou se tais valores anteriormente provisionados se consituíram em passivo atuarial absorvido pelo plano.</p>



<p><strong>Premissas atuariais e financeiras</strong></p>



<p>No que diz respeito às premissas utilizadas na avaliação atuarial, temos as seguintes mudanças em relação ao exercício 2017:</p>



<p>Taxa real anual de juros &#8211; De 5,65% a.a. para 5,64% &#8211; <strong>aumento</strong> (mínimo) de passivo;</p>



<p>Fator de capacidade atuarial &#8211; De 97% para 98% &#8211; <strong>aumento</strong> de passivo;</p>



<p>Fator de capacidade de benefício &#8211; De 97% para 98% &#8211; <strong>aumento</strong> de passivo;</p>



<p>Tábua geral de mortalidade &#8211; AT 2000 Basic M&amp;F foi substituída pela tábua AT 2000 M&amp;F suavizada em 10% &#8211; <strong>aumento </strong>de passivo. </p>



<p>Hipótese de composição familiar: </p>



<p><strong>ativos</strong> &#8211; probabilidade de casados &#8211;  De 75% para 70% (<strong>redução</strong>) de passivo;</p>



<p>Diferença de idade entre homens e mulheres- De 4 para 6 anos, sendo mulheres mais novas (aumento) de passivo;</p>



<p><strong>Obs:</strong> A tábua geral de mortalidade é uma <span style="text-decoration: underline;">premissa muito importante</span> na avaliação e a suavização em 10% se trata de uma redução em 10% nas probabilidades de morte atribuída aos participantes, fazendo com que o passivo passe a ser estimado com uma expectativa de vida majorada. No entanto, salvo engano de quem escreve este texto, a tábua anterior e nova vigente praticamente possuem as mesmas probabilidades de morte ou ao menos, diferenças mínimas.</p>



<p>Complementando informações a respeito das premissas, pela leitura da Demonstração Atuarial 2018, observa-se que a consultoria atuarial identificou mais uma vez um fenômeno que é comum neste plano: a variação real de salário dos ativos. Desta vez, a variação foi de 1,58% em termos reais em apenas 1 ano, ou seja, acima da inflação, muito embora a premissa fornecida para o estudo tivesse sido de 1,00%, conforme orientação das Patrocinadoras. Como sabemos, até mesmo pelo que já foi explicado em publicações anteriores, <strong>o passivo torna-se maior que o projetado</strong> e esse custo é <strong>dividido por todos no plano, de forma solidária</strong>. </p>



<p>E, para aqueles que ainda não conseguiram entender como se deu a mudança no entendimento sobre a validade do parágrafo 2º do Art. 61, este histórico encontra-se resumido nas págs. 88/89 do RAI 2018.</p>



<p>E é justamente nessa leitura que se pode tomar conhecimento que já no início de 2019 que houve a publicação da aprovação do TAC no D.O.U, celebrado entre PREVIC e Eletros.</p>



<p>Outra informação relevante que consta nas demonstrações contábeis diz respeito aos déficits referentes aos exercícios de 2010 e 2011. Pela leitura do texto, percebe-se que a Eletros analisaria, em conjunto com as Patrocinadoras, eventual necessidade de adotar alguma providência quanto ao equacionamento daqueles exercícios que fora implementado, com base na observação do <strong>parágrafo 1º do art. 61</strong>, considerado dentro da legalidade conforme Ofício da Previc.</p>



<p><strong>O Parecer Atuarial</strong></p>



<p>Ao contrário do que muita gente pensa, o parecer atuarial é um documento que possui um conteúdo didático para ajudar a entender o que se passa no plano que a Eletros administra. Existem obviamente informações que são um pouco mais difíceis de serem interpretadas pelo público menos familiarizado com a ciência atuarial, porém, nem de longe é um documento que só é entendido por atuários. Por isso, recomendamos uma leitura, mesmo que por curiosidade. E, na medida do possível, o que fazemos com essas publicações é trazer mais explicações quando a parte técnica do parecer se mostra mais difícil de ser compreendida.</p>



<p>O Parecer Atuarial 2018 do plano pouco menciona as razões ou mesmo os resultados dos estudos que motivaram a alteração da premissa da tábua geral de mortalidade, pois não foi apenas uma questão de suavização em 10%. Houve mudança na tábua (AT 2000 Basic para AT 2000). Há apenas uma observação que não existem tábuas brasileiras que representem a mortalidade de participantes dos fundos de pensão do Brasil. Em relação às outras premissas utilizadas, o mesmo faz alguns comentários que buscam justificar sua adoção.</p>



<p>Uma das partes mais importantes do parecer atuarial para quem gosta de números ou precisa ter noção de como é feita a divisão dos déficits é sem dúvida o &#8220;<strong>Patrimônio de Cobertura do Plano, Provisões e Fundos&#8221;.</strong></p>



<p>Para ajudar a sua leitura e interpretação, vamos aqui passar alguns conceitos. Esperamos que sejam úteis.</p>



<p>Enquanto Provisões Matemáticas representam o <strong>passivo</strong> do plano, o <strong>Patrimônio de Cobertura</strong> representa o <strong>ativo. </strong>logo, toda a diferença entre eles poderá ser excesso ou insuficiência de recursos para garantir os compromissos do plano, dependendo se a mesma for positiva ou negativa.</p>



<p>No caso específico de 2018, enquanto o patrimônio era de <strong>R$ 1,946 bilhões</strong>, o passivo era de <strong>R$ 2,111 bilhões</strong>. Seguindo esse raciocínio, vemos que há uma &#8220;insuficiência&#8221; de recursos da ordem de <strong>R$ 164,6 milhões, </strong>identificada como <strong>Déficit Técnico Acumulado</strong>.</p>



<p>Em seguida, aparece a segregação entre <strong>Benefícios Concedidos</strong> (aposentadorias e pensões) e <strong>Benefícios a Conceder</strong> (futuras aposentadorias e pensões). Basicamente os números que se sucedem &#8220;abaixo&#8221; da demonstração representam o <strong>valor presente</strong> dos <strong>benefícios líquidos</strong> a serem pagos aos <strong>atuais aposentados e pensionistas</strong>, seguidos pelo valor presente para o caso dos <strong>ativos</strong>, primeiramente dos benefícios a serem pagos aos mesmos <strong>quando se aposentarem</strong> seguido do <strong>valor presente</strong> ainda necessário das <strong>contribuições</strong> a serem vertidas ao plano <strong>até a aposentadoria</strong>, separados em <strong>benefícios programáveis</strong> (ou seja, aqueles benefícios aos quais todos conseguem prever uma data para ocorrer &#8211; aposentadoria por tempo de contribuição ou idade por exemplo) e os <strong>benefícios não programáveis</strong> (aposentadoria por invalidez ou pensão por morte).</p>



<p>O próximo item são as <strong>Provisões Matemáticas a Constituir</strong>, onde tem-se uma conta de <strong>Serviço Passado,</strong> a qual contempla no caso do BD Eletros as responsabilidades exclusivas das Patrocinadora. Você sabe quais são elas?</p>



<p>I &#8211; Art. 61 (Parágrafo 1º). Este é o valor que representa o compromisso da Eletrobras exclusivo para cobrir o déficit apurado após o encerramento da migração em 2009, de forma definitiva, que foi assinado mediante Termo de Compromisso, entre Eletrobrás e Eletros em <strong>29.12.2011</strong>. Essa informação também está disponível no parecer atuarial, pág. 116 do relatório.</p>



<p>II &#8211; Atividade especial (antigo SB-40), relativo às aposentadorias concedidas antecipadamente. Tal montante se faz necessário ser aportado para garantir o equilíbrio do plano. </p>



<p>Ainda nas Provisões Matemáticas a Constituir (PMaC) tem-se a abertura dos déficits que já estão com o plano de equacionamento aprovado e implantado, com os números representando respectivamente o valor presente:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Total do Déficit do Exercício específico;</li><li>Parcela de responsabilidade dos Patrocinadores;</li><li>Parcela de responsabilidade dos Participantes Ativos;</li><li>Parcela de responsabilidade dos Assistidos</li></ul>



<p>E, após todos esses valores analisados, entendemos como se dá o quadro <strong>Equilíbrio Técnico.</strong> Corresponde ao total de Patrimônio de Cobertura, subtraído das Provisôes Matemáticas e dos valores que vimos acima descritos. Literalmente a &#8220;sobra&#8221; de todos os valores anteriormente discriminados.</p>



<p>Em 2018, a <em>duration</em> do passivo correspondia a 10,5 anos. Mas, o que significa esse número?</p>



<p>Equivale à média dos prazos dos fluxos de pagamento de benefícios da carteira de um plano. Como o plano BD Eletrobrás é composto em sua maioria de assistidos idosos terá uma &nbsp;<strong><em>duration&nbsp;</em>mais curta</strong>, pois pagará benefícios por um período mais curto e terá menos tempo para aguardar pelo retorno dos investimentos. Se o plano BD fosse composto por participantes ativos ou aposentdos com idade menor, ou seja, um perfil mais jovem, teria uma&nbsp;<em>duration</em>&nbsp;mais longa, pois teria a previsão de pagar benefícios aos seus participantes por muitos anos.</p>



<p>Mas, qual a implicação prática do cálculo da duration? Segundo a legislação vigente, os prazos de equacionamento devem respeitar o limite de cobrança pelo prazo de 1,5 vezes a duration. Ou seja, limite máximo deve ser inferior a 16 anos.</p>



<p>Então, a duration serve apenas para colocar um limite máximo no prazo de equacionamento?</p>



<p><strong>Não.</strong> A duration é muito mais que apenas um período. A duration permite que seja estipulado um limite máximo de déficit até que seja obrigatório o seu equacionamento, desde que este limite definido percentualmente seja inferior a <strong>duration menos 4.</strong>  Tudo calculado em função do percentual do déficit sobre a Reserva Matemática. Vamos a um exemplo?</p>



<p>Suponha um plano com 1 bilhão de passivo (reserva matemática) e a duration de 20 anos. Ao calcular 20-4=16, descobrimos que todo déficit que este plano apresentar enquanto for <strong>inferior a 16% da Reserva Matemática</strong> (R$ 160 milhões), <strong>não precisará ser equacionado de imediato</strong>. Logo, será contabilizado no balanço como <strong>déficit técnico</strong> ao invés de <strong>déficit equacionado</strong> (em provisões matemáticas a constituir).</p>



<p>Esse é exatamente o motivo pelo qual em 2016 e em 2018, embora o plano tivesse apresentado déficit, não foi necessário estipular um novo plano de equacionamento, como demonstraremos mais adiante.</p>



<p>Importante antes de explicar essa parte, é também registrar que novamente a Eletros, procedeu o Ajuste de Precificação de Ativos, ou seja, recalculou o patrimônio de títulos marcados &#8220;na curva&#8221; (mantidos até o vencimento) para a marcação a mercado, implicando em uma redução no valor do déficit técnico acumulado em <strong>R$ 37.048 mil</strong>, de forma que o Equilíbrio Técnico Ajustado apresentasse como resultado o valor de <strong>R$ 127.533 mil</strong>. Ou seja, ao reclassificar os títulos, a <strong>variação no patrimônio</strong> foi <strong>positiva</strong>.</p>



<p>Agora sim, repare que no caso do plano em 2018, a duration era 10,05. Aplicando-se a fórmula, chegamos a 6,05%. Aplicando-se este percentual sobre a Reserva Matemática equivalente a <strong>R$ 2.110.667.158,08</strong> chega-se ao limite máximo de <strong>R$ 127.695.363,03</strong>.</p>



<p>E, como mostramos acima, <strong>após </strong>o Ajuste de Precificação, o déficit foi calculado em <strong>R$ 127.533.363,06</strong></p>



<p>Sim, estamos falando de uma diferença de R$ 161.997,97, ou seja, apenas 162 mil reais, não foi elaborado o Plano de equacionamento 2018. </p>



<p>O que chama a atenção novamente, como também já publicamos nesta série, mesmo em anos com resultado positivo dos investimentos, o déficit não diminuiu. Pelo contrário, ele <strong>aumentou</strong> <strong>R$ 98.828.927,96</strong>, pois passou de <strong>R$ 67.752.403,40</strong> em 2017 para <strong>R$ 164.581,331,36</strong> em 2018. </p>



<p>É nesse momento que o participante, quando entende o que está acontecendo, começa (ou pelo menos deveria) se questionar se o plano BD conseguirá reduzir os déficits se vier a obter outros resultados positivos. Pois, nos anos de 2016, 2017 e 2018, embora tenham sido bastante favoráveis os investimentos, não foram mesmo assim capazes de impedir a elevação do déficit do plano. Como vimos, parte da explicação está na mudança das premissas. E nesse momento, não há o que se questionar sobre a gestão dos investimentos ou de repente, &#8220;buscar os responsáveis pela gestão&#8221;, pois comprovadamente os resultados foram acima das expectativas e do que inicialmente eram definidos como metas mínimas.</p>



<p>Infelizmente o parecer atuarial não se explicitou o impacto da alteração dessas premissas em separado, como acontecia essa abertura em RAIs anteriores, principalmente na primeira década deste século.</p>



<p>Na sequencia do parecer, são exibidas diversas tabelas que demonstram os percentuais de cobrança normal e extraordinária aplicáveis à massa de participantes e respectivos patrocinadores.</p>



<p> <strong>Conclusão</strong></p>



<p>Enfim, terminamos de analisar o ano 2018. Logo, chega o momento de explicar o que aconteceu em 2019.</p>



<p><strong>O ano 2019</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="610" src="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-2-1024x610.jpg" alt="" class="wp-image-2634" srcset="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-2-1024x610.jpg 1024w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-2-300x179.jpg 300w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-2-768x458.jpg 768w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-2-1536x916.jpg 1536w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-2-2048x1221.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Pelo 4º ano consecutivo os investimentos superaram a meta atuarial do plano BD Eletrobrás.</p>



<p>Ao ler essa afirmação, qualquer pessoa que não conhecesse a história do plano que está sendo contada, mas soubesse que o plano encontrava-se em déficit ficaria com a impressão que o ritmo de recuperação do plano estava indo &#8220;de vento em popa&#8221;. Mas, estamos aqui para contar o que aconteceu. Deixemos a imaginação para os contos de fadas!</p>



<p>A primeira notícia preocupante no início da leitura do Relatório Anual foi que foi necessário reduzir a taxa de juros do plano de 5,65% a.a. para 4,80% a.a.</p>



<p><strong>O impacto da alteração da taxa de juros</strong></p>



<p>Se fosse possível escolher uma premissa para não ser reduzida em um plano de previdência seria, disparado a taxa de juros. Quanto menor for a taxa de juros, significa dizer que os investimentos vão render menos no longo prazo. Com isso, a única forma de assegurar o pagamento dos benefícios prometidos é possuir um patrimônio suficientemente elevado, ou, alternativamente, recorrer à revisão do custeio, para garantir que o que precisa ser atingido de patrimônio no futuro seja realmente atingido. E, como uma mudança de custeio não é assim tão simples de implementar, o que se observa em todos os planos é, para planos deficitários, aumento do déficit. Para os superavitários, redução do superávit. Inclusive, essa história já foi contada nessa série, quando o plano BD se preparava para abrir a migração para o CD Eletrobrás.</p>



<p>Mas, vamos continuar ao assunto rentabilidade do plano: <strong>25,47%</strong> nominal contra uma meta atuarial de <strong>10,37%</strong>. Espetacular? Sim. Com certeza, estamos falando de uma rentabilidade de <strong>13,68%</strong> acima da meta atuarial. Descontando-se a taxa de administração do plano, a <strong>rentabilidade nominal</strong> ficou em <strong>24,85%</strong>.</p>



<p>Vamos entender qual segmento foi destaque e que impactos positivos tal rentabilidade positiva trouxe para o plano BD Eletrobrás. Será que o déficit que encerrou em 2018 diminuiu substancialmente? Veja a resposta mais a frente&#8230;</p>



<p>Uma boa notícia foi nova redução da taxa de administração. Dessa vez, de 0,45% a.a. para 0,40% a.a a partir de abril/2020.</p>



<p>Em termos práticos, a rentabilidade final que remunera o patrimônio do plano aumenta.</p>



<p>Enquanto no cenário internacional as bolsas atingiam máximas históricas, o cenário interno ficou marcado pela aprovação da Reforma da Previdência em Nov/19, fazendo com que o risco Brasil caísse de forma relevante, e o governo viabilizou a liberação de parte do FGTS dos empregados, visando estimular a economia.</p>



<p>A grande responsável pelos resultados positivos foi a renda variável, que rentabilizou impressionantes <strong>36,85% em 2019.</strong> O próprio Benchmark, o IBX foi de <strong>33,4%</strong>. Ou seja, a área de investimentos tomou decisões muito consistentes ao longo do ano e conseguiu se destacar em relaão aos demais investimentos.</p>



<p>E há de se reconhecer também o impressionante resultado da renda fixa que atingiu <strong>27,02%</strong>, sendo <strong>15,08%</strong> acima da meta atuarial.</p>



<p>Apenas os segmentos empréstimos e Investimentos Imobiliários ficaram pouco abaixo da meta atuarial. E a justificativa para os empréstimos terem dado resultado abaixo do mínimo atuarial justifica-se e é explicado no RAI 2019 como uma questão meramente operacional, com a informação que aplica-se uma defasagem de 2 meses no índice de inflação INPC. Ou seja, não era algo que preocupasse os gestores nem participantes. </p>



<p>Em resumo, um ano para ficar na história, principalmente em função do momento delicado pelo qual o plano enfrentava.</p>



<p>Entretanto, a partir da leitura do RAI 2019, é imperativo registrar o item 6.1.3 das Demonstrações Contábeis, na pág. 118, cujo título é &#8220;<strong>Títulos Reclassificados de Mantidos até o Vencimento para Títulos para Negociação</strong>&#8220;.</p>



<p>Se você prestou atenção aos textos publicados nesta série, já deve estar imaginando o que pode ter justificado toda a rentabilidade obtida pelo plano&#8230; O efeito da marcação a mercado, visto anualmente no Ajuste de Precificação dos Ativos.</p>



<p>O motivo pelo qual a Eletros tomou a decisão de reclassifricar seus títulos na curva em títulos a mercado se deu em função da abertura do plano BD Eletrobrás para uma nova migração, para o plano CD I. Como princípio básico, a marcação a mercado é obrigatória em planos CDs e neste caso de migração, todos os ativos deveriam estar marcados sob a mesma metodologia, para evitar questionamentos quanto à &#8220;transferência de riqueza entre planos&#8221;, conforme muito bem explicado no documento.</p>



<p>Em relação às contingências na gestão previdencial, houve uma mudança na classificação contábil, porém, sem aparente impacto significativo nos resultados. De toda forma, a Eletros ainda estava em fase de apresentar cálculos pois alguns processos entraram em fase de execução judicial, com perícia técnica.</p>



<p>O déficit técnico equacionado<strong> aumentou</strong> de <strong>R$ 606.448 mil</strong> para <strong>R$ 655.117</strong>.</p>



<p>A composição exata ficou então da seguinte forma:</p>



<p>Déf. Equacionado <strong>2011</strong> &#8211; R$ 14.507 mil</p>



<p>Déf. Equacionado <strong>2013</strong> &#8211; R$ 390.264 mil</p>



<p>Déf. Equacionado <strong>2015</strong> &#8211; R$ 250.346 mil</p>



<p><strong>Total equacionado &#8211; R$ 655.117 mil</strong></p>



<p>Quanto às premissas e hipóteses atuariais, a taxa de juros real anual , conforme já mencionado anteriormente, passou de 5,64% para 4,80%. Todas as demais premissas foram mantidas em relação a 2018, exceto pela hipótese que define uma diferença de idade entre homens e mulheres casados que passou de 6 para 9 anos, para os ativos.</p>



<p>O <strong>Déficit Técnico Acumulado</strong> <strong>reduziu</strong> <strong>30,8%</strong>, passando de <strong>R$ 164.581 mil</strong> em 2018 para <strong>R$ 113.904 mil</strong> </p>



<p>O documento cita um pouco mais à frente que em ago/2019 a Eletros submetia à PREVIC com o andamento dos estudos para a <strong>revisão dos déficits 2010/2011 </strong>e que foram posteriormente encaminhados à Eletrobrás. E, em nov/2019 a Eletros submetia  para PREVIC e Patrocinadoras, o Plano de Equacionamento de Déficit 2010/2011 bem como as minutas dos Termos de Compromisso para as providências de aprovação e em paralelo notificava a PREVIC o status atualizado dos estudos para revisão dos déficits de 2010/2011.</p>



<p>Infelizmente pela leitura do texto não se tem conhecimento do que constava neste estudo atualizado. Haveria alguma proposta de revisão? Essa informação não consta do RAI 2019.</p>



<p>Em 2019 ainda houve o fato relevante da aprovação pelas Patrocinadoras da revisão dos Planos de Equacionamento de 2013 e 2015 e já no início de 2020 haveria o comunicado oficial que os descontos começariam em Fevereiro/2020 e, ao final de Feveriro, há a comunicação pela Eletros da concessão de tutela antecipada pelo Juízo movido pela APEL (ação movida visando evitar a cobrança dos déficits sobre os &#8220;blindados&#8221;.</p>



<p>Cabe ainda registrar que no Parecer Atuarial consta a informação que seriam devolvidas aos participantes e patrocinadoras que efetuaram as contribuições para os déficits que foram revistos em função da nulidade do parágrafo 2º do Art. 61.</p>



<p><strong>Importante:</strong> Também consta do Parecer Atuarial a informação que em 29.11.2011 foi firmado Termo de Compromisso entre Eletros, Cepel e Eletrobrás para cobertura do déficit oriundo da migração (antigo parágrafo 1º do Art. 61). O valor que teria sido apurado em 31.12.11 fora atualizado para 31.12.2019 perfazendo o total  de <strong>R$ 367.480,42</strong>. Ou seja, tal valor responde uma pergunta que muitos participantes sempre fizeram&#8230; &#8220;Qual foi o valor do déficit apurado após o fim da migração?&#8221;. E, além disso, ainda respondida outra pergunta frequente: &#8220;Esse déficit foi pago?&#8221;. Pelo que está escrito no Parecer Atuarial 2019 as contribuições para a cobertura desse valor se encerrariam em <strong>Janeiro/2020</strong>.</p>



<p>O mesmo parecer ainda cita outros termos de compromisso assinados na mesma data, de responsabilidade daspatrocinadoras, referentes aos participantes e assistidos não amparados pelo Art. 61, ou seja, os &#8220;não-blindados&#8221;, cuja previsão de enceramento das contribuições estavam previstas para <strong>Março/2020</strong>.</p>



<p>A <strong>duration do passivo</strong> reduziu de 10,5 para <strong>10,32 anos</strong> (124 meses).</p>



<p>Em 2019 não houve o Ajuste de precificação do Ativo, que poderia reduzir o déficit técnico acumulado por estarem sob a classificação Títulos para Negociação.</p>



<p>O <strong>Limite de Déficit</strong> no qual o equacionamento não seria necessário perfazia o valor de <strong>R$ 144.840.444,13</strong>.</p>



<p>Como o Déficit Técnico Acumulado foi de <strong>R$ 113.904.283,27</strong>, ficando abaixo do limite, não era obrigatório elaborar o Plano de Equacionamento para cobertura do déficit.</p>



<p><strong>Obs:</strong> Importante destacar que 2019 foi um ano de rentabilidade excepcional da renda variável e em função da reclassificação dos ativos do plano, houve uma valorização &#8220;anormal&#8221; dos ativos do plano, fazendo com que a diferença entre o limite e o déficit apurado saísse de <strong>R$ 161.999,97</strong> em 2018 para <strong>R$ 30.936.160,86</strong>.</p>



<p>Se por um lado se trata de uma boa notícia, pois o déficit reduziu-se em quase R$ 31 milhões, por outro lado é <strong>motivo de preocupação</strong> verificar que <strong>mesmo com um desempenho tão &#8220;fora da curva&#8221;</strong> dos investimentos, o valor de déficit ter &#8220;apenas&#8221; essa redução. Em outras palavras, denota um crescimento do passivo do plano equivalente a <strong>7,08%</strong> (conforme descrito no Parecer Atuarial). O que teria acontecido neste ano se a Eletros conseguisse apenas superar a meta atuarial? Basta pensar que a <strong>insuficiência do plano em 2019</strong>, mesmo depois desse resultado tão positivo ainda era de aproximadamente <strong>R$ 769 milhões</strong>.</p>



<p>A explicação para essa evolução do passivo é em sua maior parte <strong>a queda da taxa de juros</strong>, como havíamos informado no início da explicação sobre o ano 2019. Infelizmente não consta no parecer esse impacto segregado dos demais.</p>



<p>A pergunta que esse cenário provoca é &#8220;<strong>Quantos anos ainda seriam necessários para que esse déficit fosse finalmente extinguido dependendo apenas da rentabilidade dos ativos?</strong>&#8220;.</p>



<p>O parecer atuarial do plano destaca que os principais riscos atuariais do plano eram taxa real anual d ejuros, tábua de mortalidade e crescimento salarial real (este último vem sendo repetidamente sendo apontado nessa série, por nunca nos relatórios anteriores ter recebido o merecido destaque).</p>



<p>Vale ainda uma observação: Não foi considerado como risco atuarial relevante a hipótese de crescimento real de benefícios. Porém, o regulamento do plano prevê que o reajuste anual dos assistidos obedece à regra que for mais favorável entre a variação da URE (que é corrigida pelo INPC) e o reajuste da Previdência Oficial (INSS). Basta lembrar que, se no futuro ocorrer o que aconteceu em 2010, quando os benefícios foram reajustados em 3,47% acima do previsto, ou seja, um ganho real, conforme detalhamos na Parte IV desta série que você pode ler, se desejar, clicando <a href="https://www.multixplique.com.br/do-superavit-ao-deficit-entenda-mediante-dados-oficiais-o-que-aconteceu-no-plano-bd-eletrobras-nas-duas-ultimas-decadas-parte-iv/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>, haverá um aumento do passivo atuarial, provocando déficits maiores. Por mais que pareça improvável, temos como referência o histórico que ocorreu em 2010 para nos lembrar que sim, é possível.</p>



<p>Enfim, chegamos ao fim do ano 2019. Vamos terminar essa publicação com o ano 2020?</p>



<p><strong>2020</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="383" src="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-1-1024x383.jpg" alt="" class="wp-image-2633" srcset="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-1-1024x383.jpg 1024w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-1-300x112.jpg 300w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-1-768x287.jpg 768w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-1-1536x574.jpg 1536w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/2019-1-2048x766.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Este foi um ano bem diferente dos anos anteriores em que a rentabilidade sempre superou, com folga, a meta atuarial do plano BD. Não era para menos, o mundo enfrentou a COVID-19. E, mesmo tendo conseguido superar a meta atuarial, não foi possível evitar que o plano apresentasse novo déficit, ou seja, mais um indício que o passivo atuarial ainda crescia mais que o previsto, sinal de alerta para todos os participantes. Em outras palavras, se obter rentabilidade acima da meta não está sendo o bastante sequer para impedir novos déficits, o que dizer então de diminuir?</p>



<p>Do lado das boas notícias, a Eletros informava que havia zerado todas as taxas de carregamento adotadas em todos os planos, ou seja, sobre cada valor pago por participantes, não mais seriam descontados nenhum percentual a título de sobrecarga administrativa, que era igual a 3%.</p>



<p>Este também foi o ano da aprovação das alterações no Regulamento do Plano BD Eletrobrás que suprimiu o parágrafo 2º do Art. 61, tanto pelos órgãos de Governança das empresas como pela SEST. Quanto à PREVIC, a mesma havia encaminhado diversas solicitações para Eletros em relação às alterações regulamentares.</p>



<p>No cenário da economia, depois de assistir as previsões de crescimento do PIB serem revistas de 2,2% para -9% o Brasil apresentava um desafio e tanto para os gestores de fundos de investimentos.</p>



<p>Foi 2020 o ano que a taxa de juros básica da economia brasileira (SELIC) atingiu um patamar mínimo inimaginável, apenas 2%.</p>



<p>Assim sendo, houve um forte impacto positivo na renda fixa, que aliado à uma evolução gradativa dos ativos a pouco tempo depois da instauração da pandemia, a entrada de recursos externos e o socorro emergencial no Brasil e no mundo permitiu que o ano de 2020 fechasse com uma rentabilidade positiva e acima da meta atuarial. Ainda no final de 2020 surgiam as primeiras vacinas e o otimismo para 2021 começava a apresentar seus efeitos na renda variável.</p>



<p>O plano BD atingiu a <strong>rentabilidade nominal</strong> de <strong>12,91%</strong>, contra uma <strong>meta atuarial</strong> de <strong>10,49%</strong>. A rentabilidade que tinha sido prevista na política de investimentos tinha sido de <strong>8,40%</strong>. A <strong>rentabilidade real</strong> do plano ficou em <strong>7,07%</strong> contra a premissa adotada no plano de <strong>4,80%</strong>, ou seja, mais um ganho para o plano. </p>



<p>A <strong>renda fixa</strong> do plano BD conseguiu obter <strong>14,68% </strong>nomina<strong>l</strong> e <strong>8,75% </strong>real.</p>



<p>A <strong>renda variável</strong>, mesmo com toda volatilidade do mercado ainda ficou positiva em 1,94%, porém, se descontada a inflação, ficou negativa em 3,32%.</p>



<p>Entretanto, o destaque do ano ficou com os segmentos de Investimentos Imobiliários e Investimentos estruturados que conseguiram respectivamente <strong>22,04%</strong> e <strong>16,88%</strong> nominal.</p>



<p>Foi também em 2020 o ano em que a Eletros estreou seus investimentos no Exterior em ETF (Exchange Trade Funds) de S&amp;P 500, ou seja, a compra do índice da bolsa de NY e obteve uma rentabilidade acima da meta atuarial.</p>



<p>A política de investimentos previa para 2021 uma rentabilidade de 7,66% para o plano BD. A taxa de juros tinha novamente sido reduzida, dessa vez para 4,50%, fazendo com que o passivo aumentasse, como veremos mais a frente.</p>



<p><strong>Demonstrações Contábeis</strong></p>



<p>A primeira informação importante das demonstrações que podemos extrair são as contribuições em atraso, que somavam R$ 21.400 mil, referentes às contribuições extraordinárias devidas pelos blindados que tiveram o direito obtido na Justiça de não efetuarem as contribuições cobradas até a decisão do mérito da ação impetrada pela Apel contra Eletros, Eletrobrás, SEST e PREVIC além de outras ações. Para maiores detalhes, basta consultar o RAI 2020, páginas 134 e 135.</p>



<p>Os imóveis foram reavaliados em 2020 e tiveram uma valorização de R$ 22.096 mil, lembrando que o plano BD teve uma valorização proporcional à sua posição frente ao total dos invesitmentos em imóveis em todos os planos.</p>



<p>Não houve variação significativa nas contingências na gestão previdencial entre 2019 e 2020. Porém, importante informar que as ações classificadas como &#8220;perdas possíveis&#8221;, e por essa razão não são registradas em balanço, somavam R$ 9.886 mil em 2020. Se comparadas ao ano anterior, houve um acréscimo de R$ 6.356 mil, ou seja, um aumento de 180%.</p>



<p>As Provisões Matemáticas a Constituir (PMac), ou seja, o valor presente das contribuições futuras extraordinárias aumentaram também. Passaram de <strong>R$ 655.117</strong> mil em <strong>2019</strong> para <strong>R$ 690.138</strong> mil em <strong>2020</strong>, um <strong>aumento</strong> de 5,35%.</p>



<p>Nenhuma premissa atuarial foi alterada, exceto pela taxa de juros, conforme já informado anteriormente.</p>



<p>Em relação ao Plano de equacionamento do déficit dos exercícios de 2010/2011, a ELETROS recebeu em março/2020, Ofício da Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia, com a aprovação da sua revisão.</p>



<p>E assim, a partir de abril/2020 iniciou-se a cobrança das contribuições extraordinárias em<br>conformidade com a revisão do equacionamento do déficit de 2010/2011 do plano BD Eletrobrás. Os<br>valores anteriormente pagos pelas patrocinadoras e pelos participantes e assistidos a título de<br>contribuições extraordinárias para equacionamento do referido déficit passaram a ser usados como<br>créditos para abater mensalmente novas cobranças de contribuições extraordinárias até que os saldos credores fossem integralmente utilizados, representando um alívio aos bolsos dos participantes e assistidos não blindados por algum tempo.</p>



<p>A Eletros ainda informava estar adotando todas as medidas cabíveis para revogar as decisões liminares e retornar as cobranças da parcela dos assistidos que conseguiram o efeito suspensivo na justiça. E, para tranquilizar um pouco os demais participantes, a Eletros informava ainda que Patrocinadores e demais participantes estavam efetuando suas contribuições normalmente.</p>



<p>A <strong>duration do passivo</strong> em 2020 foi calculada em 10,42 anos (125 meses).</p>



<p>E, ao efetuar os cálculos para verificação da necessidade ou não de se elaborar novo plano de equacionamento, observou-se que o <strong>Déficit Técnico acumulado</strong> no valor de <strong>R$ 158.518</strong> mil superou o <strong>Limite </strong>de <strong>R$ 152.193</strong> mil. Assim, novo plano de equacionamento seria necessário visando equacionar um valor mínimo em atenção ao que prevê a legislação. E nesse momento é importante ressaltar que <strong>não se trata de equacionar apenas R$ 6.325 mil</strong>, que é a diferença que ultrapassou o limite, como veremos mais à frente, conforme explicado no Parecer Atuarial.</p>



<p><strong>Parecer Atuarial</strong></p>



<p>A partir deste parecer, as seguintes informações foram extraídas:</p>



<p>O déficit técnico equacionado<strong> aumentou</strong> de <strong>R$ <strong>690.138</strong> mil</strong> para <strong>R$ 655.117</strong>.</p>



<p>A composição exata ficou então da seguinte forma:</p>



<p>Déf. Equacionado <strong>2011</strong> &#8211; R$ 47.382 mil</p>



<p>Déf. Equacionado <strong>2013</strong> &#8211; R$ 389.233 mil</p>



<p>Déf. Equacionado <strong>2015</strong> &#8211; R$ 253.523 mil</p>



<p><strong>Total equacionado &#8211; R$ 690.138 mil</strong></p>



<p>Em Janeiro/2020 foram integralmente quitadas as contribuições para custear as Provisões Matemáticas referentes ao Art. 61 (antigo Parágrafo 1º).</p>



<p>Não houve Ajuste de Precificação dos Ativos pois desde 2019 todos os títulos estavam marcados à mercado.</p>



<p>E qual o valor que deveria ser equacionado?</p>



<p>Segundo a legislação vigente, estando vigentes 3 ou mais planos de equacionamento simultaneamente, os planos de equacionameto seguintes devem respeitar um novo valor mínimo. No caso, 2% das Provisões Matemáticas. Assim, como as Provisões Matemáticas do plano correspondiam a <strong>R$ 2.370.609.870,29</strong> em 31.12.2020, o <strong>valor mínimo</strong> a ser equacionado foi de <strong>R$ 47.412.197,41</strong>.</p>



<p>Essa previsão legal é mais uma demonstração que os planos de previdência estão regidos por uma legislação cada vez mais rígida que visa proteger os participantes e garantir a solvência dos planos.</p>



<p>Tal situação deficitária exigiria a revisão das contribuições extraordinárias a serem cobradas dos participantes, revendo os percentuais cobrados do equacionamento de 2013 e 2015, com início de cobrança a partir de 2022. Isso porque os déficits não foram oriundos do resultado dos investimentos abaixo da meta atuarial, uma vez que mais uma vez, superaram a mesma. Este critério foi definido pela PREVIC.</p>



<p>Vale lembrar que a rentabilidade obtida de 12,53%, descontada da inflação anual de 5,4473% significou uma rentabilidade de 6,72%, muito superior à exigida de 4,80%, que era a premissa de taxa de juros real anual na avaliação atuarial de 2019.</p>



<p>O Passivo atuarial entre 2019 e 2020 variou 2,27% (passou de R$ 3,011 bilhões para R$ 3,080 bilhões).</p>



<p>Assim, chegamos ao fim desta série (pelo menos por enquanto), até que se publique o Relatório Anual de Investimentos de 2021.</p>



<p>Será um Relatório que se espera um grande número de informações relevantes, tais como a migração para o plano CD 1, os resultados do plano BD Eletrobrás em um ano de muita instabilidade no mercado financeiro e uma subida acentuada da taxa de juros real (SELIC) qu passou de 2% a.a. para 9,25% a.a.</p>



<p>Com isso, concluímos toda a análise.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/thank-you-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-2630" srcset="https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/thank-you-1024x683.jpg 1024w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/thank-you-300x200.jpg 300w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/thank-you-768x512.jpg 768w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/thank-you-1536x1024.jpg 1536w, https://www.multixplique.com.br/wp-content/uploads/2022/01/thank-you-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Esperamos que este trabalho tenha servido para esclarecer, informar e trazer um pouco de conhecimento a um público que tenho um especial carinho por ter trabalhado por 17 anos na Eletros e, como parte de minhas atribuições, atendi diversos participantes (muitos deles se tornaram amigos) e tentei, da melhor forma possível, ajudar para que pudessem entender as suas questões pessoais relativas ao plano e pudessem então tomar as melhores decisões financeiras.</p>



<p></p>



<p></p>



<p> </p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://www.multixplique.com.br/do-superavit-ao-deficit-entenda-mediante-dados-oficiais-o-que-aconteceu-no-plano-bd-eletrobras-nas-duas-ultimas-decadas-parte-vii/">Do superávit ao déficit – Entenda, mediante dados oficiais, o que aconteceu no Plano BD Eletrobrás nas duas últimas décadas… Parte VII</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.multixplique.com.br">Multixplique</a>.</p>
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